A DC pode se apresentar sob as seguintes formas: clássica, não clássica e assintomática. Samuel Gee, em1888, descreveu a forma clássica da doença, a qual se inicia nos primeiros anos de vida com diarreia crônica, vômitos, irritabilidade, anorexia, déficit de crescimento, distensão abdominal, diminuição do tecido celular subcutâneo e atrofia da musculatura glútea.
Esta forma de apresentação foi a mais frequente nos três estudos brasileiros realizados na década de 1980. A forma não clássica da DC manifesta-se mais tardiamente, com quadro mono ou paucissintomático. Os pacientes deste grupo podem apresentar manifestações isoladas, como por exemplo baixa estatura, anemia por deficiência de ferro refratária à ferroterapia oral, hipoplasia do esmalte dentário, constipação intestinal, osteoporose, esterilidade, uretralgia ou artrite e epilepsia associada a calcificação intracraniana. O reconhecimento da forma assintomática da doença, especialmente entre familiares de primeiro grau de pacientes celíacos, tornou-se mais fácil a partir do desenvolvimento de marcadores sorológicos específicos para a DC.
No Brasil, estudos recentes entre doadores de sangue demonstraram prevalência de 1/681, 1/273 e até 1/214, sugerindo que esta também não é doença rara em nosso país.
Deve ser enfatizado que, apesar da existência dos inúmeros novos métodos sorológicos não invasivos de rastreamento para o diagnóstico da DC, é imprescindível a realização da biópsia de intestino delgado, obtida de preferência junção duodeno-jejuna.
O tratamento da DC consiste na introdução de dieta isenta de glúten de forma permanente, devendo-se, portanto, excluir da dieta os seguintes cereais e seus derivados: trigo, centeio, cevada, malte, aveia.
A necessidade de esclarecer as causas e as manipulações dietéticas necessárias para o tratamento da DC, aos pacientes e seus familiares mais próximos, levou à criação das associações de celíacos. Em São Paulo, em 1985, a Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM) criou o “Clube dos Celíacos”, organizando reuniões com grupos de mães de pacientes com DC, para intercâmbio de informações, especialmente para a troca de receitas de alimentos sem glúten e para esclarecimento das dúvidas a respeito da doença.
Reforça-se a necessidade de ampla divulgação, tanto entre os próprios celíacos e familiares, quanto da população em geral sobre a doença e até entre médicos e demais profissionais de saúde, dos critérios para o correto diagnóstico dessa doença, visto que o déficit de conhecimento tanto da população em geral quanto dos profissionais de saúde com relação à doença celíaca, pode estar gerando não só diagnósticos inapropriados em indivíduos saudáveis, condenando-os à dieta restritiva desnecessária, mas também impedindo que verdadeiros celíacos sejam diagnosticados.
Referências:
SDEPANIAN, V. L.; MORAIS, M. B.; FAGUNDES-NETO,U. Doença celíaca: características clínicas e métodos utilizados no diagnóstico de pacientes cadastrados na Associação dos Celíacos do Brasil. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro,p.331-8.2001.Disponível em <
CASSOl, CA.; DE PELLEGRIN, CP.; WAHYS, MLC.; PIRES, MMS.; NASSAR, SM.
Perfil clínico dos membros da Associação dos Celíacos do Brasil – Regional de Santa Catarina (ACELBRA-SC).
Departamento de Pediatria. Florianópolis, SC. v. 44 – no.3 – jul./set. 2007.Disponível em:< http://www.scielo.br/pdf/ag/v44n3/a15v44n3.pdf >.


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